domingo, 28 de setembro de 2008

A Peregrinação - Parte I

Origens da Peregrinação:
No mundo antigo, as peregrinações, consideradas no geral e desde um ponto de vista histórico e religioso, faziam referência a uma viagem empreendida individual ou colectivamente para visitar um lugar santo, uma cidade ou um templo consagrado pela recordação ou pela presença de um herói, de uma divindade ou de um poder sobrenatural. A peregrinação, assim considerada, encontra-se desenvolvida em quase todas as religiões e culturas, desde a pré-história até os mais elevados círculos religiosos e culturais.
Finalidade da Peregrinação:
O Homem na sua vida é, definitivamente, um peregrino: um ser em busca de si mesmo, da sua própria identidade e da transcendência (Homo viator). É por isso que ser peregrino [literalmente] ou apenas espiritualmente é mostrar à todos o peregrino interior.
O que constitui a alguém em peregrino?
É questionar-se. Duvidar de suas próprias crenças e percepções e sair em peregrinação por lugares e doutrinas que desconhece para descobrir se aquilo que defende é o correto ou não. Os fiéis do Antigo Testamento são descritos na Bíblia como peregrinos dando à idéia de serem estrangeiros nessa vida e também de que ela se constitui uma PASSAGEM. A Bíblia utiliza expressões como as de um povo nómade, que hoje coloca a sua tenda aqui e amanhã noutra parte. Santa Teresa de Jesus escrevia que a vida é ”como uma noite em uma má pousada”. Em resumo, o tempo da nossa vida é como uma peregrinação que tem um ponto de partida, um caminho que recorrer e uma meta a que devemos chegar: somos ”homo viator”. Essa peregrinação nem sempre o precisa ser no sentido físico-geográfico, pode sê-lo num sentido espiritual. E é a esse sentido espiritual de peregrinação que me atenho: Peregrinação por crenças, vales de dúvida em busca das respostas de nossos questionamentos interiores. O Homem é, por natureza, “viator” já que não tem na terra uma cidade permanente, antes anda a procura da do futuro.
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A aspiração mais profunda do homem é a de descobrir um sentido para a sua existência. E antes de alcançar esta meta, o Homem que se encontra nessa busca, descobre que o caminho é duro e, frequentemente, é um andar as apalpadelas. No entanto, neste caminhar, algumas respostas são encontradas. A reflexão cristã convida a que cada um se considere a si próprio como um “peregrino”, isto é, um estrangeiro, alguém que habita em terra estranha e que caminha para uma pátria além-vida. A comparação entre a vida terrena como peregrinação e a celestial é frequente no Novo Testamento, bem como nos escritores e ascetas cristãos de todos os tempos. Mas também podemos ir muito além da reflexão cristã e convidar à toda humanidade para que sejam peregrinos. Em busca de suas próprias respostas. Para fazermos isso podemos lançar mão da filosofia. E é sobre isso que falarei na parte II.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Universalismo do Discordianismo

(por Rev. Mandrake)
Discórdia, nossa Deusa, segundo a mitologia grega é a deusa do caos e da confusão, filha de Nix com Caos e mãe da dor, do sofrimento e de deuses menores similares.
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Bem, isso pelo menos foi o que os gregos deixaram por escrito sobre ela (e qualquer um que conheça um pouco sobre os gregos sabem que eles foram péssimos historiadores). De uns tempos pra cá a Sociedade Discordiana se revelou ao público e então agora os teólogos e filósofos estão correndo atrás de se atualizar nas novas definições e tendências desse Aeon.
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O Caos metafísico A Discórdia é o Caos. Mas o que é Caos? A ausência da ordem? Confusão? Falta de coerência? Falta de lógica? Falta de organização? Bem, eu diria que é tudo isso, mais um pouco e nenhuma das alternativas. A dualidade sempre é ilusória. Não existe essa história de Caos/ordem, na realidade elas são a mesma coisa só que em polaridades diferentes.
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E o que seriam essas polaridades? Basicamente vamos nos lembrar de como isso tudo começou. O homem via tempestades, intempéries da natureza, ataques de animais e não tinha controle sobre nada disso. Não tinha controle por vários motivos, como falta de conhecimento sobre esses fenômenos, não ser capaz de identificar o padrão de ação deles e não compreender a causa e os objetivos de tais fenômenos. Básicamente o homem chama aquilo que ele não conhece e, principalmente, não consegue identificar um padrão de ação ou organização de Caos. Assim sendo, quando o homem consegue finalmente conhecer determinado fenômeno e atribuir a ele um padrão, aquilo deixa de ser Caos e passa a ser ordem.
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Ou seja: A ordem simplesmente é aquilo que o homem conhece e pode prever (pois conhece seu padrão), consequentemente obtendo controle sobre o objeto ou fenômeno em questão.
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A Confusão Teológica Segundo o Principia Discórdia, livro máximo do Discordianismo, discordianos são aconselhados a jamais rezarem ou orarem para a deusa com o objetivo de pedir ou, em alguns casos, agradecer a sorte na vida. Alguém já se perguntou o porquê disso?
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Pela minha experiência, acredito que basicamente é um retrocesso você querer evoluir e progredir na sua vida e, ao mesmo tempo, pedir ajuda e intervenção divina. Os nossos problemas nos tornam melhores, evoluídos, precavidos, experientes etc. Então por que diabos eu iria querer me livrar deles? Éris sabe disso, por isso ela recomenda a todos para evitar pedir ajuda dos deuses. Todos sabemos que ela é meio temperamental e nunca se sabe como ela pode reagir por ter um filho tão ingrato com ela, já que ela dá a dádiva dos problemas a nós, a fim de nos tornar melhores.
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Então o título de Causadora de Confusão que ela possui reflete esse lado materno dela em relação a todos os seres do universo, ao oferecer eternas possibilidades de confusão a todos! Nesse ponto, nota-se que Éris é a Deusa mais importante que poderia vir a existir.
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Agradando Gregos e Troianos Falando em lado materno, se você a considerar uma Grande Mãe por essa preocupação e atenciosidade, ótimo! Assim talvez você note que Éris é a Grande Mãe do qual os Wiccas e pagãos em geral tanto falam. Se você observar que Éris faz com que cada um sofra problemas relativos a consequência de fatos anteriores do universo, então parabéns! Você acaba de descobrir que o Karma dos budistas e hindus nada mas é do que o trabalho da Deusa. A deusa também faz coisas muito más, já que ela é justa (universalmente falando). Então, dependendo de seu ponto de vista, pode abservar que dessa forma ela se assemelha a duas outras divindades modernas: Deus (YHWH, Você não pode pronunciar isso) ou o Diabo (Lúcifer, a Estrela da Manhã).
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Devo lembrar também que, se você prefere observar sob prismas mais simples, pode constatar que nossa Deusa Discórdia, nada mais é do que o caos e isso não implica que ela seja necessariamente uma entidade antropomórfica divina. Assim ela simplesmente é uma força natural que interage com todas as leis e forças do universo, unificando-as. Séria o deus dos Einstenianos, ou o Não-Deus dos céticos, ou ainda a Teoria Unificada da física dos cientistas modernos.
-><- Todos Saúdam Discórda -><-
Como o próprio Principia Discórdia deixa explícito nessa frase, todos os seres pensantes são discordianos (e muitos dos não pensantes também) fazendo de todos nós curiosos em torno dos atos de nossa deusa: Éris, a Deusa da Discórdia, do Caos e da Confusão!