Origens da Peregrinação:
No mundo antigo, as peregrinações, consideradas no geral e desde um ponto de vista histórico e religioso, faziam referência a uma viagem empreendida individual ou colectivamente para visitar um lugar santo, uma cidade ou um templo consagrado pela recordação ou pela presença de um herói, de uma divindade ou de um poder sobrenatural. A peregrinação, assim considerada, encontra-se desenvolvida em quase todas as religiões e culturas, desde a pré-história até os mais elevados círculos religiosos e culturais.
Finalidade da Peregrinação:
O Homem na sua vida é, definitivamente, um peregrino: um ser em busca de si mesmo, da sua própria identidade e da transcendência (Homo viator). É por isso que ser peregrino [literalmente] ou apenas espiritualmente é mostrar à todos o peregrino interior.
O que constitui a alguém em peregrino?
É questionar-se. Duvidar de suas próprias crenças e percepções e sair em peregrinação por lugares e doutrinas que desconhece para descobrir se aquilo que defende é o correto ou não. Os fiéis do Antigo Testamento são descritos na Bíblia como peregrinos dando à idéia de serem estrangeiros nessa vida e também de que ela se constitui uma PASSAGEM. A Bíblia utiliza expressões como as de um povo nómade, que hoje coloca a sua tenda aqui e amanhã noutra parte. Santa Teresa de Jesus escrevia que a vida é ”como uma noite em uma má pousada”. Em resumo, o tempo da nossa vida é como uma peregrinação que tem um ponto de partida, um caminho que recorrer e uma meta a que devemos chegar: somos ”homo viator”. Essa peregrinação nem sempre o precisa ser no sentido físico-geográfico, pode sê-lo num sentido espiritual. E é a esse sentido espiritual de peregrinação que me atenho: Peregrinação por crenças, vales de dúvida em busca das respostas de nossos questionamentos interiores. O Homem é, por natureza, “viator” já que não tem na terra uma cidade permanente, antes anda a procura da do futuro.
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A aspiração mais profunda do homem é a de descobrir um sentido para a sua existência. E antes de alcançar esta meta, o Homem que se encontra nessa busca, descobre que o caminho é duro e, frequentemente, é um andar as apalpadelas. No entanto, neste caminhar, algumas respostas são encontradas. A reflexão cristã convida a que cada um se considere a si próprio como um “peregrino”, isto é, um estrangeiro, alguém que habita em terra estranha e que caminha para uma pátria além-vida. A comparação entre a vida terrena como peregrinação e a celestial é frequente no Novo Testamento, bem como nos escritores e ascetas cristãos de todos os tempos. Mas também podemos ir muito além da reflexão cristã e convidar à toda humanidade para que sejam peregrinos. Em busca de suas próprias respostas. Para fazermos isso podemos lançar mão da filosofia. E é sobre isso que falarei na parte II.
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