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Ponto inicial da discussão: Há uma falha nos crentes. Todo crente acha que discutir é criar oposições uns em relação aos outros, em vez de construir elementos sobre os discursos uns dos outros.
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Numa comunidade no Orkut me veio essa discussão insalubre: FILHOS PERDIDOS X FILHOS DA PERDIÇÃO. Um pastor, não direi de que denominação por questões de ética (ou seja, não direi que é presbiteriano) disse que há uma diferença vinda do grego. Sabemos que o grego é uma língua rica em nuances de significados, que dispenso aqui apresentar exemplos, por questões de comunicação. Só sei que o cara ficou citando exemplos de Mateus 18:11, Lucas 15:24, Lucas 19:10, João 17:12, 2 Tessalonicenses 2:3 etc.
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Ele perguntou: Será que Jesus se manifestou para salvar os dois??? Ou há uma enorme distinção entre os dois???
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Eu respondi: Que me importa? Orarei pelos dois, pois para mim são a mesma coisa, distingui-los é falar crentês e esquecer do essencial.
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Sua resposta foi: Na parábola do joio e do trigo, talvez perceba isso.
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Me irritei. E com razão. Qual a ordem de Cristo? Ide e pregai o evangelho a TODA CRIATURA! Não me importa se Faraó, Judas, Saul eram filhos da pedição, a ordem de Cristo inclui eles também.
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O problema maior são os seminários. Se um seminário diz que em grego existe uma palavra para água e uma para água realmente molhada, os pastores começam a citar esse fato para um cem número de doutrinas locais de várias igrejas. Se o grego distingue pássaro e pássaro com penas (ou seja, pássaro, menos o morcego), os pastores começam a se preocupar somente com esse fato para dizer que o Espírito Santo não baixou sobre Cristo sob a forma de um morcego (e se baixasse, que diferença faria?).
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Óóóóóó! Minha vida mudou depois de saber que existe água, e água realmente molhada! Minha concepção de mundo agora é outra ao saber que o pombo é um pássaro com penas! Incrível, a Bíblia nos fala dos perdidos e dos filhos da perdição! Me sinto revigorado agora, pronto para mais uma aula de grego koiné nos horários em que eu deveria estar evangelizando!
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Só chego à conclusão de que devemos nos desapegar dos preceitos gramaticais que apenas desviam nossa atenção. Respeito a opinião de todos, mas creio que devemos observar, por exemplo, que devemos ajudar o próximo, seja ele perdido, filho da perdição, filho da mãe ou filho e uma quenga.
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Nos preocuparmos se batismo deve ser por imersão ou aspersão, se há livre arbítrio ou predestinação, se devemos ir ao teatro ou não, manter a castidade ou não etc etc etc etc etc etc etc... Peraí!!!!!!!!!!!!!! Deus nos deu o Espírito Santo, e ficar tentando convencer o outro não vai adiantar. O Espírito Santo em cada um dá a revelação na medida certa, mesmo que pareçam se contradizer a princípio.
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Não estou desmerecendo os debates, que chegam a ser interessantes, mas há preocupações maiores ao nosso redor, como a violência crescente nas cidades, furacões no sul da Ásia, terremotos no Brasil, o menino de rua que pede esmolas para comprar cola de sapateiro.
O menino quer estudo, alimentação, família. Ele não quer uma discussão sobre se ele perde salvação ou não, nem quer que a gente fique discutindo se ele é perdido ou filho da perdição. Ele vai morrer de fome, seja ele perdido ou filho da perdição, se não pararmos de discutir para dar-lhe um pedaço de pão.
Olhe essa imagem e pense:
é mais importante ficar discutindo ou agindo?.


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