sexta-feira, 24 de julho de 2009

Por que as pessoas gritam?

072020091804 - Cópia

Numa ocasião, um pensador indiano fez a seguinte pergunta aos seus discípulos:
- Por que as pessoas gritam quando estão aborrecidas?
- Gritamos porque perdemos a calma, disse um deles.
- Mas por que gritar quando a outra pessoa está ao seu lado?
Questionou novamente o pensador.
- Bem, gritamos porque desejamos que a outra pessoa nos ouça, retrucou outro discípulo.
E o mestre volta a perguntar: – Então não é possível falar-lhe em voz baixa?
Várias outras respostas surgiram, mas nenhuma convenceu o pensador.
Então ele esclareceu:
- Você sabe porque se grita com uma pessoa quando se está aborrecido?
O fato é que, quando duas pessoas estão aborrecidas, seus corações se afastam muito. Para cobrir esta distância precisam gritar para poderem escutar-se mutuamente. Quanto mais aborrecidas estiverem, mais forte terão que gritar para ouvir um ao outro através da grande distância. Por outro lado, o que sucede quando duas pessoas estão enamoradas? Elas não gritam. Falam suavemente. E por que? Porque seus corações estão muito perto. A distância entre elas é pequena. Às vezes estão tão próximos seus corações, que nem falam, somente sussurram. E quando o amor é mais intenso, não necessitam sequer sussurrar, apenas se olham, e basta.
Seus corações se entendem. É isso que acontece quando duas pessoas que se amam estão próximas.
Por fim, o pensador conclui dizendo:
- Quando vocês discutirem, não deixem que seus corações se afastem, não digam palavras que os distanciem mais, pois chegará um dia em que a distância será tanta que não mais encontrarão o caminho de volta.

Mahatma Gandhi

sábado, 4 de abril de 2009

O Evangelho de Paulo

 

Por Nando
Para mim, está muito claro que Paulo pregava o mesmo Evangelho que Jesus, mas também, ao mesmo tempo, um Evangelho muito diferente.

A mensagem era a mesma: “abandonar a neurótica busca de justiça própria, libertando-se do jugo escravizante da autojustificação, e correr para a justificação em Cristo, pela fé na Justiça do Calvário”.

Entretanto, há um “Evangelho da circuncisão“ e um “Evangelho da incircuncisão” (Gl 2:7).

E onde está a diferença?

Nas pessoas às quais a mensagem - "única" – de libertação e justificação em Cristo é direcionada. A Pedro (e aos demais apóstolos) foi confiado o Evangelho da “circuncisão” (observem as introduções das epístolas neo-testamentárias não-paulinas). A Paulo foi confiado o Evangelho da “incircuncisão”.

O contraponto do Evangelho para os judeus era a Lei Mosaica, que a eles foi dada. De modo que os judeus que se convertiam deixavam de buscar "autojustificação" na Lei Mosaica, embora - como cidadãos - devessem continuar observando-a e submetendo-se a ela em seus aspectos civis (At 23:1-5).

É da insuportável exigência de justiça da Lei Mosaica (At 15:10) que a Graça de Cristo liberta os judeus (e gentios que espontaneamente – ou amarrados pelo cristianismo judaizado – a ela se submetem Gl 5:3-4).

O apóstolo dos gentios, entretanto, pregou o Evangelho da incircuncisão, que tem como contraponto apenas as normas instaladas na consciência humana desde a queda no jardim do Éden, qualquer que seja a religião do homem (Rm 2:11-16; 12:2).

Diferente dos apóstolos que escreveram aos “judeus convertidos” (os quais estavam livres do jugo autojustificador da Lei Mosaica, mas não de submeterem-se a ela como parâmetro de conduta, por isso muitos cristãos “da Graça” têm problemas para engolir a epístola de Tiago e alguns detalhes das epístolas de João), o apóstolo dos gentios não usou a Lei como referencial de condenação (a não ser para os que a ela se submetiam – Gl 4:21) nem jamais apontou a Lei Mosaica como parâmetro de conduta para gentios convertidos.

Por isso ele "desceu a lenha" no irmãozinho que estava transando com a própria madrasta (I Co 5:1), mas não o “enquadrou” em Dt 22:30 (como a “igreja” seguramente faria). Ele viu a idolatria de imagens em Atenas, mas não saiu berrando o Ex 20:4-6 (como a “igreja” sempre fez, ainda faz e sempre fará) nem ameaçou com as duras penalidades mosaicas os irmãos de Corinto que saíram com prostitutas (I Co 6:15-16).

E onde fica Cristo nessa história toda? Ora, Cristo era “ministro da circuncisão” (Rm 15:8), por isso (diferentemente do apóstolo dos gentios) falou do Evangelho sob a perspectiva da Lei Mosaica (“evangelho da circuncisão”) ao seu povo “segundo a carne” (Rm 9:5).

Por acaso, não é notório que Cristo sempre tentou evitar que houvesse gentios entre seus ouvintes? (nem preciso listar as muitas referências). Não é notório que as primeiras instruções aos discípulos foram para que eles evitassem pregar aos gentios? (Mt 10:5-6) A quem foi Cristo enviado? (Mt 15:24) Por quê?

Ora, porque o que se anunciava naquele momento era apenas o “Evangelho da circuncisão”, voltado exclusivamente para libertar judeus do jugo da Lei Mosaica como seu instrumento de justificação. Só depois o foco se voltaria para os gentios (Rm 1:16). Por isso, quando leio os evangelhos, mesmo nas palavras do próprio Jesus, submeto-o a uma “peneira”. Quando Cristo fala da Lei - para judeus (fariseus ou não) – não percebo suas palavras como direcionadas a mim. Não sou nem nunca fui judeu. Nunca estive debaixo da Lei Mosaica. Nunca aceitei esta imposição da “igreja” (como um todo).

Mesmo quando ministrados pelo próprio Cristo, os ensinos sobre a Lei me são úteis apenas para tentar libertar algum irmão de consciência fraca, bem como os neurotizados e endoidecidos pela arrogância legalista, a ponto de sentirem-se justificados em Moisés (embora afirmem que é em Cristo).

Quanto à minha pessoa - quanto à minha condição espiritual - palavras sobre a Lei Mosaica “entram por um ouvido e saem pelo outro”. Não perco tempo “gracificando” as aulas de “legislação mosaica” dadas por Cristo, como ministro da circuncisão, e que assustam muita gente “da Graça”, e ao mesmo tempo são úteis para os “legisladores” de plantão (Mateus 5:17-48, por exemplo). Dali, o que é Graça para a minha consciência, recebo. O que é Lei, não é pra mim, pois, no tocante a ela, estou crucificado e morto (Gl 2:19). E é isto que Cristo diria para nós hoje (e diz através do apóstolo dos gentios) a respeito de passagens como aquela.

A única serventia da Lei é apontar para a justificação em Cristo (Gl 3:24). Se passar disto, ela só gera o medo neurótico da condenação, e o meu problema com uma possível condenação já foi resolvido na cruz do Calvário. Nisto eu creio. Ah, se creio... Quero agora aperfeiçoar-me no amor (I Jo 2:5-6), e nem o medo nem a própria lei aperfeiçoam coisa alguma (I Jo 4:18; Hb 7:18-19).

Não tenho nenhum interesse em dissecar a Lei em busca de possibilidades de condenação (o que a “igreja” – salvo raras e preciosas exceções - vive fazendo). Eu, particularmente, concordo com Paulo que até os debates sobre a Lei são inúteis e fúteis (Tt 3:9).

Antes, porém, que alguém distorça o que aqui afirmo, quero deixar claro que, para mim, Cristo é o referencial absoluto do Evangelho. Ele “É” o próprio Evangelho e a Graça de Deus encarnados. Mas quanto à APLICABILIDADE do Evangelho na vida dos discípulos, Cristo fez uma aplicação exclusivamente para judeus (ou isto não está claro na Bíblia?), mas separou alguém, antes mesmo que este nascesse, para pregar o Evangelho entre os não-judeus, sem vinculá-lo às suas tradições e raízes judaicas (“não consultei carne e sangue” – Gl 1:15-17), tornando-se o “apóstolo dos gentios” (Rm 11:13). Ou isto também não está claro na Bíblia?

Por isso, mesmo no que o “Evangelho de Paulo” difere do “Evangelho de Cristo” (a Lei como parâmetro de condenação e de conduta) ele o faz em obediência ao próprio Cristo (I Co 14:37-38), que, através de Paulo, ministra aos gentios (o que ele não fez enquanto esteve corporeamente sobre a Terra).

A questão é: Por que Deus julgou tão importante separar Evangelho da Circuncisão e da Incircuncisão? Por que ele – definitivamente - não quis que o Evangelho da Circuncisão fosse pregado aos gentios? Que problemas poderiam surgir se o Evangelho da Circuncisão (que tem como contraponto a Lei Mosaica) fosse pregado aos gentios?

A resposta está na história da religião cristã, que - agindo fora do plano de Deus - sempre misturou "Evangelho da Circuncisão" e "Evangelho da Incircuncisão" e, assim, acabou criando o “evangelho da autojustificação na Lei, mas proclamado em nome de Cristo” (o “outro evangelho” Gl 1:6-9), onde prevalece a cegueira religiosa, que não liberta para Cristo e só gera escravidão à justiça própria (jugo da Lei). Ah, se algum dia a “igreja” entender isso...

Enfim, sou discípulo de Cristo, que é tudo e em todos – judeus e gentios (Cl 3:11). Mas sou gentio e não conheço nenhum judeu, por isso, mesmo crendo em uma só Graça, quanto ao papel da Lei na vida cristã, prego o “Evangelho da Incircuncisão”. Sim, neste ponto, prego o “Evangelho de Paulo”.
Autor: Fernando C. M. Rodrigues Via Djair Soares por e-mail

(Fortaleza-CE, Mar/2009)

Fonte: http://sobrefeemaisumpouco.blogspot.com

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Com esse artigo anuncio que estou abandonando a minha oposição ferrenha às epístolas de Paulo. Graças à ele enxerguei as mesmas epístolas de uma forma que não havia enxergado ainda.

Muito bom esse texto.

Continuo acreditando na não apostolicidade de Paulo, mas pelo menos compreendo seu posicionamento diante da mensagem de Jesus e vejo que ele aquilo em que ele acrescentou à mensagem de Jesus foi partindo do pressuposto de que sua pregação tinha como contraponto a lei moral existente na consciência dos homens, ao invés da Lei Mosaica.

Concordo com o artigo quando diz que a mensagem de Paulo diverge em alguns pontos da mensagem de Jesus e concordo quando o autor diz que essa diferença é devido ao contraponto utilizado nas duas mensagens e ao público à quem elas eram dirigidas.

Mas continuo discordando da autoridade de Paulo diante da mensagem de Jesus.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Pergunta Básica

 

Ou todas religiões levam à lugar nenhum.

Ou todas levam ao mesmo lugar.

Depende de como você vê, e em quê você acredita.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Resposta à crítica de alguns irmãos

(Escrito por Félix Maranganha)
Fui criticado recentemente por estar fora da membresia de uma igreja local. Dizem que os EFMI (Evangélicos Fora da Membresia das Igrejas) são desviados, que renegaram sua fé. Pois bem. Eu estou fora de membresia das igrejas. Sou desviado? Não! Estou fora há pouco mais de 4 anos, e não me vejo perdido. Eu estudo a palavra, leio a Bíblia, medito nela! O estudo da palavra, quando não se deixa levar pelos discursos internos das igrejas, é bem mais gratificante que numa escola dominical. Aprendem-se muitas coisas maravilhosas sobre Deus assim também. Por isso deixo aqui o alerta e o testemunho:
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"Igrejas não salvam ninguém. Fui salvo por Deus sem elas, e freqüentei um pouco a ABU (Aliança Bíblica Universitária). Quando entrei em uma igreja, os problemas começaram. O modo como os crentes falavam, de que só era salvo quem fizesse profissão de fé, chorasse aos pés do senhor, fosse batizado etc. Essas coisas minaram mais que edificaram minha fé. Não digo isso da igreja que eu freqüentava, mas do meio evangélico em si.
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Quando saí da membresia da igreja local, senti como se um peso enorme tivesse saído de minha alma. Vi que eu era muito imaturo na fé ainda para entrar em uma igreja. O primeiro ano sem a ela é o mais difícil, eu confesso, pois é quando você está criando novos hábitos. É comum que se tome um porre, ou que se fume alguma coisa, que se veja um site pornô, que se fale algumas blasfêmias, ou que se comece a falar palavrão. Mas isso tudo ocorre porque estamos acostumados a, em vez de Deus, ter sempre a igreja como porto seguro. Achamos que somos incapazes de estudar a Bíblia sozinhos, ou que não podemos caminhar com nossos pés. Com o tempo, as coisas vão se resolvendo. O Espírito Santo começa a suprir a lacuna, e então você percebe como Deus é maravilhoso, pois ele consegue te ensinar, mesmo que não haja um pastor por perto. Ele leciona, mesmo sem o uso da Bíblia. Assim, você se sente amadurecendo".
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Hoje, a membresia não me atrai nem um pouco, e vou aos cultos esporadicamente. Oro todos os dias, àz vezes por três segundos, às vezes por três horas. Agora me acho um crente maduro, mas as igrejas evangélicas têm de amadurecer também. Senão serei expulso sempre! Não é um acordo unilateral! Elas devem ceder também, não a mim, mas a pessoas na mesma situação que eu.
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As pessoas têm que parar de achar que só crente dentro da membresia está no caminho certo. É um erro! Não precisa estar na igreja pra ser crente. Mas não digo que estar fora da igreja é fácil. A batalha espiritual é bem maior aqui fora. Aqui fora é frio e solitário, mas há Deus conosco. É só confiar nele!

terça-feira, 18 de novembro de 2008

Crentes de espada na mão

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(escrito por Félix Maranganha)
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Ponto inicial da discussão: Há uma falha nos crentes. Todo crente acha que discutir é criar oposições uns em relação aos outros, em vez de construir elementos sobre os discursos uns dos outros.
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Numa comunidade no Orkut me veio essa discussão insalubre: FILHOS PERDIDOS X FILHOS DA PERDIÇÃO. Um pastor, não direi de que denominação por questões de ética (ou seja, não direi que é presbiteriano) disse que há uma diferença vinda do grego. Sabemos que o grego é uma língua rica em nuances de significados, que dispenso aqui apresentar exemplos, por questões de comunicação. Só sei que o cara ficou citando exemplos de Mateus 18:11, Lucas 15:24, Lucas 19:10, João 17:12, 2 Tessalonicenses 2:3 etc.
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Ele perguntou: Será que Jesus se manifestou para salvar os dois??? Ou há uma enorme distinção entre os dois???
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Eu respondi: Que me importa? Orarei pelos dois, pois para mim são a mesma coisa, distingui-los é falar crentês e esquecer do essencial.
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Sua resposta foi: Na parábola do joio e do trigo, talvez perceba isso.
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Me irritei. E com razão. Qual a ordem de Cristo? Ide e pregai o evangelho a TODA CRIATURA! Não me importa se Faraó, Judas, Saul eram filhos da pedição, a ordem de Cristo inclui eles também.
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O problema maior são os seminários. Se um seminário diz que em grego existe uma palavra para água e uma para água realmente molhada, os pastores começam a citar esse fato para um cem número de doutrinas locais de várias igrejas. Se o grego distingue pássaro e pássaro com penas (ou seja, pássaro, menos o morcego), os pastores começam a se preocupar somente com esse fato para dizer que o Espírito Santo não baixou sobre Cristo sob a forma de um morcego (e se baixasse, que diferença faria?).
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Óóóóóó! Minha vida mudou depois de saber que existe água, e água realmente molhada! Minha concepção de mundo agora é outra ao saber que o pombo é um pássaro com penas! Incrível, a Bíblia nos fala dos perdidos e dos filhos da perdição! Me sinto revigorado agora, pronto para mais uma aula de grego koiné nos horários em que eu deveria estar evangelizando!
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Só chego à conclusão de que devemos nos desapegar dos preceitos gramaticais que apenas desviam nossa atenção. Respeito a opinião de todos, mas creio que devemos observar, por exemplo, que devemos ajudar o próximo, seja ele perdido, filho da perdição, filho da mãe ou filho e uma quenga.
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Nos preocuparmos se batismo deve ser por imersão ou aspersão, se há livre arbítrio ou predestinação, se devemos ir ao teatro ou não, manter a castidade ou não etc etc etc etc etc etc etc... Peraí!!!!!!!!!!!!!! Deus nos deu o Espírito Santo, e ficar tentando convencer o outro não vai adiantar. O Espírito Santo em cada um dá a revelação na medida certa, mesmo que pareçam se contradizer a princípio.
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Não estou desmerecendo os debates, que chegam a ser interessantes, mas há preocupações maiores ao nosso redor, como a violência crescente nas cidades, furacões no sul da Ásia, terremotos no Brasil, o menino de rua que pede esmolas para comprar cola de sapateiro. O menino quer estudo, alimentação, família. Ele não quer uma discussão sobre se ele perde salvação ou não, nem quer que a gente fique discutindo se ele é perdido ou filho da perdição. Ele vai morrer de fome, seja ele perdido ou filho da perdição, se não pararmos de discutir para dar-lhe um pedaço de pão.
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Olhe essa imagem e pense:
é mais importante ficar discutindo ou agindo?.

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

O Salto da Fé

(Escrito por Félix Maranganha)

"Escolhi um lado racionalmente, agora só quero que respeitem isso", Antônio Medeiros Costa, vaqueiro

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Eu, por vezes, enfrento um pouco de preconceito na academia por causa de minhas posições religiosas. Nas escolas, onde dou aula, isso é problema sério, pois vejo que o preconceito, já bem afamado entre os adolescentes, é ainda maior por parte dos professores. Não digo do preconceito religioso em si contra somente minha pessoa, digo do preconceito conceitual, aquele que impede que pessoas comuns e intelectuais tenham uma conversa racional sobre qualquer assunto.

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Darei aqui dois exemplos:

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1.Dando aulas, certa vez, sobre a origem da literatura, citei vários textos da Bíblia e apresentei suas semelhanças com o Popol Vuh da América Central. Na mesma aula, levantei algumas hipóteses acerca da composição bíblica no primeiro, um aluno meu, evangélico, ergueu sua voz, e minha aula inteira se perdeu ali. Não adiantou eu dizer que era também evangélico, que era criacionista, que era "salvo no sangue do cordeiro". Minha aula, repito, nunca mais foi a mesma.

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2.Numa discussão com Luciano, um amigo meu, anos atrás, fui tachado de bitolado, fanático e intelectualmente imaturo por causa das mesmas posições. Não adiantou explicar que, antes de ser evangélico fui agnóstico, cético, e que adotava posições cientificamente aceitas pela academia. Não adiantou eu falar do caso do Rio Paluxy, ou das menções às Serpentes Chinesas de Pan-Ling. Para ele eu era um baixo calão em vivo, e pronto. Aí está a minha vida, sofro preconceito.

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Mas acredito que, num mundo globalizado, pelo menos eu tenha o direito de dizer tanto que Jesus é o Senhor, que fui salvo por sua morte e estou aqui apenas aguardando o Paraíso, como tenho o direito de alardear que não aceito determinados dogmas, que sou de formação científica e que tanto faz eu ser criacionista como evolucionista, o salto de fé é o mesmo. . Acredito na humanidade, e espero que ela também acredite em si mesma.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Fés Nomeadas e Denominadas

(Texto escrito por Félix Maranganha,
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com charge de Daniel Soares Simões)
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Uma caminhada em qualquer lugar de uma cidade, da travessa à avenida, revelará um fato interessante e, por que não(?), hilário. Observei o nome de igrejas evangélicas, católicas, centros espíritas, terreiros de cultos afro e até mesmo centros de reunião Seicho-No-Ie. Atentei-me para o fato esdrúxulo de que esses locais se autobatizam com nomes generalizantes, dizendo-se os únicos a receberem tais nomes.
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Comecemos pelos nomes das fés ou denominações evangélicas. Quando se encontra um templo, há, de início, o nome Igreja Batista, Congregacional, Assembléia de Deus ou Universal do Reino de Deus. O primeiro problema é que todas batizam, congregam membros, são assembléias e dizem-se universais, e do Reino de Deus(!!!). Talvez seja por isso que os evangélicos as chamam de Denominações, pois não passam de nomes, de rótulos.
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O problema é que alguns rótulos são até errôneos. Veja a Presbiteriana, por exemplo. Por que ela recebe esse nome? Porque tem um presbitério, que em tese deveria ser um conjunto de conselheiros para auxiliar o pastor, e que, em prática, é um corpo político que tem poderes superiores ao de um pastor. É um sistema parlamentarista. Então por que não se chama logo Igreja Parlamentariana? E a Batista Regular? Chama-se assim por dizer-se seguir a Bíblia como única regra de fé e prática, como se as outras igrejas cristãs usassem o Alcorão ou o Bhagavad Gita.
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E a igreja Católica, que ataca a Igreja Universal, e vice-versa? Ambas se dizem a mesma coisa. O Islamismo se diz "submisso" a Deus. Legal, isso significa que mais ninguém é. O Espiritismo diz que sua doutrina básica é a "comunicação com os espíritos", que o resto não é espiritismo. Interessante, o xamanismo, a umbanda, o candomblé, o animismo, a pajelança e outras manifestações similares não se comunicam com os mortos, assim não sendo espiritismo.
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Alguns grupos são até menos criativos, porém mais coerentes, e usam logo o nome de seus fundadores: Carmelitas, Franciscanos, Luteranos, Budistas, Kardecistas (como alguns espíritas se referem à sua fé).
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Algumas religiões usam nomes mais tradicionais: Judaísmo (em menção à tribo de Judá), Hinduísmo (nome do povo de origem), Xintoísmo, Lamaísmo, etc.
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Eu acredito que o nome é apenas um rótulo. A palavra apenas leva até o significado, mas, chegando ao significado, o nome deixa de fazer sentido. Não adianta uma igreja se dividir por causa da piscina e uma se chamar Igreja do Reino do Senhor e a outra chamar-se Igreja dos Servos do Senhor do Reino. É apenas mais uma forma de exclusão por meio da fé através dos rótulos.
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E o que dizer das crenças mais esdrúxulas, e de nomes mais esdrúxulos ainda? Recentemente me deparei com o templo dos Adoradores do Deus Pela Manhã (o que me fez levantar a tese de que à tarde o tempo é dedicado ao pecado). E o Discordianismo? E o que dizer da Fé do Grande Lenço Branco (significa que eu não passo de secreção nasal de Deus)? Igreja Evangélica Bola-de-Neve (às vezes eu rio quando penso nas possibilidades)? Lista dos Adoradores Anônimos de Satã (lista, anônima, ai ai...)? Centro de Adoração ao Deus Lilás (ai, bofe)? Tudo isso numa cidade como João Pessoa.
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E dizem que religião não é interessante. Eu se divirto muito.