(Texto escrito por Félix Maranganha,
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com charge de Daniel Soares Simões)
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Uma caminhada em qualquer lugar de uma cidade, da travessa à avenida, revelará um fato interessante e, por que não(?), hilário. Observei o nome de igrejas evangélicas, católicas, centros espíritas, terreiros de cultos afro e até mesmo centros de reunião Seicho-No-Ie. Atentei-me para o fato esdrúxulo de que esses locais se autobatizam com nomes generalizantes, dizendo-se os únicos a receberem tais nomes.
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Comecemos pelos nomes das fés ou denominações evangélicas. Quando se encontra um templo, há, de início, o nome Igreja Batista, Congregacional, Assembléia de Deus ou Universal do Reino de Deus. O primeiro problema é que todas batizam, congregam membros, são assembléias e dizem-se universais, e do Reino de Deus(!!!). Talvez seja por isso que os evangélicos as chamam de Denominações, pois não passam de nomes, de rótulos.
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O problema é que alguns rótulos são até errôneos. Veja a Presbiteriana, por exemplo. Por que ela recebe esse nome? Porque tem um presbitério, que em tese deveria ser um conjunto de conselheiros para auxiliar o pastor, e que, em prática, é um corpo político que tem poderes superiores ao de um pastor. É um sistema parlamentarista. Então por que não se chama logo Igreja Parlamentariana? E a Batista Regular? Chama-se assim por dizer-se seguir a Bíblia como única regra de fé e prática, como se as outras igrejas cristãs usassem o Alcorão ou o Bhagavad Gita.
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E a igreja Católica, que ataca a Igreja Universal, e vice-versa? Ambas se dizem a mesma coisa.
O Islamismo se diz "submisso" a Deus. Legal, isso significa que mais ninguém é.
O Espiritismo diz que sua doutrina básica é a "comunicação com os espíritos", que o resto não é espiritismo. Interessante, o xamanismo, a umbanda, o candomblé, o animismo, a pajelança e outras manifestações similares não se comunicam com os mortos, assim não sendo espiritismo.
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Alguns grupos são até menos criativos, porém mais coerentes, e usam logo o nome de seus fundadores: Carmelitas, Franciscanos, Luteranos, Budistas, Kardecistas (como alguns espíritas se referem à sua fé).
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Algumas religiões usam nomes mais tradicionais: Judaísmo (em menção à tribo de Judá), Hinduísmo (nome do povo de origem), Xintoísmo, Lamaísmo, etc.
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Eu acredito que o nome é apenas um rótulo. A palavra apenas leva até o significado, mas, chegando ao significado, o nome deixa de fazer sentido. Não adianta uma igreja se dividir por causa da piscina e uma se chamar Igreja do Reino do Senhor e a outra chamar-se Igreja dos Servos do Senhor do Reino. É apenas mais uma forma de exclusão por meio da fé através dos rótulos.
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E o que dizer das crenças mais esdrúxulas, e de nomes mais esdrúxulos ainda? Recentemente me deparei com o templo dos Adoradores do Deus Pela Manhã (o que me fez levantar a tese de que à tarde o tempo é dedicado ao pecado). E o Discordianismo? E o que dizer da Fé do Grande Lenço Branco (significa que eu não passo de secreção nasal de Deus)? Igreja Evangélica Bola-de-Neve (às vezes eu rio quando penso nas possibilidades)? Lista dos Adoradores Anônimos de Satã (lista, anônima, ai ai...)? Centro de Adoração ao Deus Lilás (ai, bofe)? Tudo isso numa cidade como João Pessoa.
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E dizem que religião não é interessante. Eu se divirto muito.
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