(escrito por Marcos Aurélio)
Esses dias topei com a seguinte notícia pela web (traducao minha)
Biologistas perto de criar vida em laboratório
"Um time de biologistas e químicos está perto de trazer matéria sem vida à vida.
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Não é tão 'franksteiniano' quanto parece. Em vez disso, um laboratório liderado por Jack Szostak, um biologista molecular na Harvard Medical School, está construindo modelos de células simples que quase podem ser chamadas 'vida'.
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Apesar de seu último trabalho ainda não ter sido publicado, Szostak descreveu seus avanços preliminares em fazer com que protocélulas com informação genética dentro repliquem na XV Conferência Internacional sobre a Origem da Vida em Forença, Itália na semana passada. A replicação ainda não é autônoma, portanto ainda é vida artificial, mas é mais perto do que qualquer um tenha chegado em termos de transformar elementos químicos em vida biológica."
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O mais interessante não é a notícia em si. Quem entende um pouco das variáveis envolvidas percebe que apesar de ser algo realmente interesante, ao tirar a "camada de marketing" não tem nada revolucionário na pesquisa. Mas, para variar, os americanos transformaram a lista de comentários num verdadeiro "debate religioso-filosófico".
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Os comentários, para começar, comprovam o velho ditado de que a religião se baseia no medo, enquanto que a ciência na esperança. Isso pode ser visto nos comentários do tipo "Deus não permite", "cuidado com as conseqüências", "nao façam isso pois é o fim do mundo" etc.
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O segundo ponto interessante é que a expressão que mais se vê nos comentários é "playing God", ou "brincando de Deus", insinuando que este não é um campo reservado aos seres humanos, mas algo que deve ser restrito a Deus. Interessante que essas afirmações não são fundamentadas em nada a não ser o medo. Que eu saiba nenhum livro sagrado legisla sobre a criação de protocélulas artificiais nem lista as coisas que são prerrogativas exclusivas de Deus.
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Minha pergunta é: do que a religião tem medo?
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