terça-feira, 22 de julho de 2008

A Tranquilidade da Vida

Ansiedade: essa é a palavra que melhor traduz o mundo moderno. Ansiedade, porque o mundo de hoje está um caos, estamos atolados em guerras e ameaças de guerras, violência urbana, crise econômica, desemprego, caos no trânsito, caos na saúde, crise na família, crise na religião, crise climática. Temos medo de viver num mundo como o nosso, non-sense.

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Qualquer um ficaria rapidamente preocupado, o medo logo assomaria e o pânico seria a única saída.

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E muitos entram em pânico. Alguns entram em desespero-parafuso, e caem nas malhas do crime, da boemia sem sentido e do suicídio. Alguns recorrem à religião, mas ela não responde a todos os anseios, e ficamos órfãos espirituais, perambulando pelo mundo.

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Por isso gente com eu é mal compreendida. Num mundo ansioso, os calmos são considerados loucos, sem noção, alienados, idiotas, simplesmente porque eu procuro uma vida diferente. A tranqüilidade da minha alma é ainda uma busca ferrenha, e a simplicidade um dos grandes ideais de vida. A simplicidade, que pelo meu ver, é viver segundo as leis naturais, não se firmar demais no destino e defender algumas virtudes. Tranqüilidade e simplicidade apesar do dinheiro, apesar do cargo, apesar da profissão, apesar da situação. A felicidade depende da renúncia aos vícios.

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Lendo Sêneca e Marco Aurélio, percebo que a ignorância é a mãe do medo, e o medo é o pai dos vícios. Procura-se o prazer sem compromisso por medo da dor física e mental, ou de morrer sem experimentar os prazeres. A ansiedade surge do medo. A irresponsabilidade e o descompromisso surgem da busca exagerada dos prazeres. A ansiedade gera a raiva, presa demais aos ditames do tempo. A raiva evolui ao ódio, à agressão, ao arrependimento e à culpa.

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Para não me meter debaixo do medo, e não gerar outros vícios, o remédio é buscar o conhecimento. Conhece-te a ti mesmo, diz o ditado. O caminho melhora quando se busca eliminar o medo, mas preservando o amor-próprio. Sem o medo, a ansiedade desaparece, e aprende-se a Paciência, a Passividade, a Calma, a Tranqüilidade, a Temporalidade. Sem a ansiedade, tem-se mais tempo para Compromissar-se com a Benevolência, a Seriedade, a Cautela e o Trabalho. O resultado é a Alegria, é ver a vida com outros olhos.

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Então você percebe: você é temporário, e anônimo, mas isso não mudará o fato de que se pode ser feliz, mesmo a alma não existindo, mesmo Deus não existindo. Você poderá aproveitar os prazeres com maior paz de espírito, pois os mesmos poderão ser buscados com moderação.

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E para os que crêem em Deus? Continuem crendo. Eu mesmo creio em Deus, em Jesus, em Vida Eterna, mas não fico mais ansioso quanto a isso. Deus me fez descobrir o Estoicismo.

Um comentário:

marcos disse...

Então você percebe: você é temporário, e anônimo, mas isso não mudará o fato de que se pode ser feliz, mesmo a alma não existindo, mesmo Deus não existindo.

essa frase foi otima... (tah no meu gtalk :P)

pois eh. passei a ver a vida com outros olhos depois de perceber isso. nao sei se sou estoico tbm, ateh pq nao faz diferenca!